Jorge Varanda
O modelo empresarial aplicado a hospitais públicos em Portugal é o resultado de uma lenta mas coerente evolução, com base em preocupações comuns a diversos governos e legisladores: o aumento da despesa e dos orçamentos dos hospitais e a inapropriação do modelo burocrático aos hospitais.
Não é de admirar que a reforma se tenha verificado apenas na passagem do século XX para o XXI: porque a década de 90 foi a da abertura dos hospitais à ciência e métodos de gestão; porque a sociedade portuguesa, no seu passado, manifestou um significativo atraso no domínio dos métodos de gestão empresarial; finalmente, porque na mesma década a formação dos profissionais prestadores de cuidados iniciou um processo para superar o passado deficitário em ciências da gestão.
Face ao nível da despesa da saúde no país, à dimensão do parque hospitalar e à insatisfação perante alguns dos seus resultados, é natural que se tenha gerado o consenso suficiente e o momentum para, em plena crise económica e financeira, se empreender uma reforma amadurecida ao longo de anos.
O autor identifica os diferentes marcos reformadores do sistema hospitalar português na sua longa marcha para a empresarialização, concluindo que o êxito dos hospitais SA estará sempre relacionado com o êxito da sua gestão, por sua vez condicionado pelas condições internas e externas.